Reunião do Conselho Internacional do FSM – DIÁRIO DE MARROCOS
Foi instalado na segunda-feira (16/12), na cidade de Casablanca no Marrocos, a reunião do Conselho Internacional do FSM. Com mais de 100 participantes com expressiva participação de representantes dos países da África, Ásia, Europa e América Latina. A terça-feira foi dedicada ao balanço de conjuntura e o papel dos processos do Fórum Social.
Há uma clara avaliação de que a crise do modelo capitalista e neoliberal atinge as camadas mais pobres em todos os países, em especial, as mulheres, crianças e a juventude. A disputa de projetos, um que pretende manter as riquezas do planeta à serviço de uma minoria, e outro democrático que busca socializar não a miséria, mas a riqueza, ocorrem em todos os países de formas distintas.
Em várias situações, como no Iraque, Síria, Palestina esta disputa acontece em forma de guerras e dominação militar. Em outros, de forma mais sutil, as disputas se dão por dentro de dinâmicas de dominação de mercado.
Em qualquer situação há um conflito entre estes dois blocos de interesses e os processos do Fórum Social em todo o mundo é o espaço de articulação dos projetos e alternativas anti-capitalistas e democráticas. Por isso a importância se sua realização e continuidade.
Mas quem é o Fórum Social e no que pode ser útil?
Esta foi a temática que dominou os debates na parte da tarde. Vários são os sujeitos e as experiências e, certamente por isso, várias são as percepções e opiniões que se expressaram.
Certo é que as experiências do Fórum Social em toda a sua diversidade tem contribuindo para dar maior legitimidade e eficácia as lutas locais e regionais de diferentes movimentos. Isso por si só, justificaria sua existência.
Mas os depoimentos neste CI demonstraram que o papel do Fórum Social vai mais além. Aglutina setores de lutas diferentes que, de outra forma, não se encontrariam nem dividiriam suas experiências, conquistas e aprendizados. A luta das mulheres em toda a parte do mundo, hoje, é uma luta comum. As questões dos direitos dos povos africanos como uma luta de todos, temas urbanos como o direito à acessibilidade plena, tanto fisica quanto política e cultural, também.
Estar no FSM não é uma obrigação. Todos e todas são livres para entrar e sair a hora que acharem oportuno para sua luta. Por isso, a conclusão só pode ser uma. O Fórum Social Mundial deve ser fortalecido para estas e para as próximas geraçoes, sempre num espírito democrático, plural e transparente. Afinal, um outro mundo é possível e o estamos construindo em nosso dia-a-dia de luta e resistência.
O dia da atividades do CI no Marrocos encerrou com um Ato/Homenagem a Vinod Raina, numa atividade cheia de simbolismo e energia em reconhecimento a este líder indiano que com sua vida representa as lutas sociais de todo o mundo.
Desde Casablanca, Marrocos
Mauri Cruz
Dirigente da Abong
Membro do Comitê de Organização do FSTemático2014 em Porto Alegre/Brasil

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