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CAMP promove Ciclo Formativo em Cuidados Digitais diante do avanço das Big Techs e da IA 

O CAMP – Escola do Bem Viver realizou, no último sábado (16), a aula inaugural da 2ª edição do Ciclo Formativo em Cuidados Digitais e Bem-Estar na Internet. A atividade aconteceu de forma presencial na sede da instituição, localizada na Praça Parobé, nº 130, 9º andar, no Centro Histórico de Porto Alegre, reunindo participantes interessados em refletir criticamente sobre os impactos das tecnologias digitais na sociedade contemporânea.

Com inscrições gratuitas, o ciclo é estruturado em dois momentos: uma etapa inicial presencial e, na sequência, encontros em formato online. A proposta busca ampliar o acesso à formação e promover um aprofundamento contínuo sobre temas relacionados ao ambiente digital, segurança de direitos e uso das inteligências artificiais.

Coordenadora do CAMP, Daniela Tolfo explicou que o projeto vem realizando atividades em diferentes territórios do país para debater o uso das redes sociais, segurança digital e os impactos das plataformas no cotidiano, e o CAMP assumiu essa missão de desenvolver a iniciativa na capital gaúcha.

A programação presencial contou com três aulas conduzidas por convidados que articulam pesquisa acadêmica, militância e atuação nas redes | Crédito: CAMP/Reprodução

Ao apresentar a trajetória da entidade, Tolfo também destacou que o CAMP atua há mais de 40 anos ao lado dos movimentos populares e da economia popular solidária. E ressaltou que o debate sobre redes sociais e direitos digitais ainda é um campo novo para a organização.

Tolfo acrescentou que a proposta é dar continuidade ao processo formativo com os encontros online previstos na programação. “Estamos aqui para isso e depois seguir nessas atividades online para dar continuidade ao ciclo formativo”, concluiu.

Já Denise Eloy, coordenadora do Centro de Formação: Educação Popular, Cultura e Direitos Humanos da Ação Educativa/Abong, destacou que a Rede Nanet vem promovendo, há cerca de dois anos, debates sobre direitos digitais por meio de formações e ações de incidência política. “O Nanet tem tentado há dois anos fazer esse debate dos direitos digitais, tanto com formação, com incidência, pensando também no nosso campo político”, afirmou.

Segundo Eloy, o tema ainda é recente para muitas organizações dos movimentos populares, mas o processo tem proporcionado um amplo aprendizado coletivo. Ela ressaltou que os ciclos formativos realizados nos territórios contam com a participação de organizações parceiras, coletivos culturais e grupos ligados às tecnologias digitais. “A gente tem tido uma experiência bastante diversa e acredita muito que é essa diversidade que vai compondo o projeto”, disse.

Com inscrições gratuitas, o ciclo é estruturado em dois momentos: uma etapa inicial presencial e, na sequência, encontros em formato online | Crédito: Clara Aguiar

Para a coordenadora, a construção coletiva também tem ajudado os participantes a refletirem sobre as formas de organização e resistência no contexto atual. “A gente está aprendendo junto também como viver e como se luta nesse contexto hoje que a gente vive”, completou.

Voltada para todos os públicos, a iniciativa debate questões como o poder das Big Techs, os impactos dos algoritmos, o ciberativismo e as disputas políticas nas redes sociais. A formação também propõe reflexões sobre os desafios da desinformação, da violência digital e das novas formas de manipulação presentes nas plataformas digitais.

A programação presencial contou com três aulas conduzidas por convidados que articulam pesquisa acadêmica, militância e atuação nas redes. O historiador Walter Lippold ministrou a atividade “A lógica dos algoritmos: como as Big Techs influenciam nossas percepções e emoções”. Integrante do Coletivo Fanon e coautor do livro Colonialismo digital: por uma crítica hacker-fanoniana, Lippold abordou o conceito de colonialismo digital e a concentração de poder das grandes plataformas, responsáveis pelo controle de dados e fluxos informacionais em escala global.

Historiador Walter Lippold | Crédito: Clara Aguiar

A militante Ayra Machado conduziu a aula “Misoginia organizada em rede e os desafios da regulação das plataformas digitais”, discutindo a chamada “machosfera” e os mecanismos de amplificação da violência de gênero no ambiente digital, além dos desafios para enfrentar essas dinâmicas nas plataformas.

Militante Ayra Machado | Crédito: Clara Aguiar

Já o influenciador digital Thiago Palominio apresentou a atividade “A juventude nas redes: como influenciadores digitais disputam narrativas políticas”. Com forte atuação nas redes sociais, Palominio propôs uma reflexão sobre o papel do ativismo digital e da juventude na construção da opinião pública.

Influenciador digital Thiago Palominio | Crédito: Clara Aguiar

Além da programação formativa, a atividade presencial contou com café da manhã, almoço e auxílio transporte para participantes que necessitavam de apoio para deslocamento, buscando garantir maior acesso e diversidade de participação.

As atividades do ciclo seguem nesta semana em formato online, com encontros realizados via Google Meet. As inscrições seguem abertas para as atividades online e podem ser realizadas por meio do formulário disponibilizado pela organização. Os links de acesso serão enviados aos inscritos antes de cada aula.

Voltada para todos os públicos, a iniciativa debate questões como o poder das Big Techs, os impactos dos algoritmos, o ciberativismo e as disputas políticas nas redes sociais | Crédito: Clara Aguiar

Próximos encontros

  • 19 de maio, terça-feira, às 19h
    Hackear e descolonizar a internet, com Walter Lippold
  • 20 de maio, quarta-feira, às 19h
    Algoritmos do ódio: como misoginia, racismo e LGBTQIAPN+fobia são amplificados nas redes sociais e como combatê-los, com Ayra Machado
  • 21 de maio, quinta-feira, às 19h
    Inteligência Artificial: manipulação, desinformação e o futuro das eleições, com Thiago Palominio

A iniciativa integra o Projeto Nanet, idealizado pela Abong, Ação Educativa e Ibase, com apoio da União Europeia. O projeto busca democratizar o acesso à tecnologia no Brasil, com foco em cuidados digitais, garantia de direitos e combate à desinformação.

Com mais de 40 anos de atuação em Porto Alegre, o CAMP – Escola do Bem Viver desenvolve ações voltadas à promoção dos direitos humanos por meio da mobilização social, da formação e da produção de conhecimento. 

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