Aconteceu o I Intercâmbio Técnico de Finanças Solidárias

Intercambio

“Que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica nem com balanças nem barômetros etc. Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós” (Manoel de Barros)

Aconteceu durante os dias 20, 21 e 22 de Maio, em Serrinha (BA), na ASCOOB, o I Intercâmbio Técnico de Finanças Solidárias. A atividade era parte do “Projeto Nacional de Finanças Solidárias – Apoio e fomento às iniciativas de finanças solidárias com base em bancos comunitários de desenvolvimento, fundos solidários e cooperativas de crédito solidário”, convênio 00039/2013, financiado pela Secretaria Nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego (Senaes/MTE).

Participaram desse primeiro intercâmbio os representantes das experiências de Bancos Comunitários de Desenvolvimento, Cooperativas de Crédito Solidário e Fundos Solidários: Banco Palmas (CE), Banco Bem (ES), Banco Jardim Botânico (PB), Banco Tupinambá (PA), Aresol (BA), Ascoob Sisal (BA), Fundo Solidário Pequi (TO), Fundo Solidário UVA (MT), Crehnor (RS) Cresol (RS), Cáritas Sul e Cáritas Nordeste 3.

O intercâmbio possibilitou não apenas trocas de experiências entre os participantes, mas um processo de reflexão sobre a complementariedade das experiências de finanças solidárias. O exercício constante de identificação daquelas atividades e concepções em que as experiências de finanças solidárias se aproximam, construindo verdadeiramente um processo de produção conjunta de conhecimento. Esse processo se inicia no próprio cotidiano de trabalho, suas dinâmicas, ferramentas, desafios e potencialidades de cada uma das iniciativas de finanças solidárias e tem no intercâmbio um momento especial de reflexão.

Embora há muito tempo as iniciativas se reconheçam e são reconhecidas como finanças solidárias e como economia solidária, participem e se encontrem nos fóruns e conferências, realizem atividades conjuntas, não havia um processo sistemático de diálogo e construção de pautas e agendas comuns entre as três iniciativas. E é justamente nesse espaço que os intercâmbios se colocam.

Durante o intercâmbio, Valmir, do Banco Bem, fez uma fala que resume bem o espírito desse tipo de atividade: “Dois aprendizados que temos. A maioria dos nossos trabalhos a gente se coloca no lugar do outro, a gente tem esse olhar. O segundo aprendizado é aprender na prática”.

No primeiro dia as experiências se apresentaram, buscando, em pequenos grupos, encontrar onde os seus trabalhos se aproximavam. Cada grupo era formado por representantes de Bancos comunitários, Fundos solidários e Cooperativas de crédito; nesse momento logo se percebeu que, embora com atividades distintas, era uma mesma concepção que animava as experiências e elas puderam se ver muito próximas.

No segundo dia foram feitas visitas a agricultores que tinham tomado crédito com a cooperativa de crédito Ascoob Sisal e as pessoas puderem entender o sentido de desenvolvimento do território que a Ascoob busca com seus trabalhos. A relação direta entre o trabalho das finanças solidárias e o desenvolvimento comunitário trouxe a concretude do trabalho da cooperativa de crédito. A relação com terra chamou bastante atenção já que algumas das experiências presentes, como alguns fundos e os bancos comunitários, têm atuação urbana.

O terceiro dia foi o momento de nos debruçarmos em questões comuns das finanças solidárias. A questão proposta pelos anfitriões ofereceu a oportunidade de refletirmos sobre a relação das diversas experiências de finanças solidárias com os bancos públicos, bem como a necessidade de reconhecimento dessas experiências por parte desses bancos.

O próximo intercâmbio ocorrerá em Agosto deste ano no Banco Bem, em Vitória-ES, a expectativa dos participantes é enorme, para dar continuidade ao processo iniciado em Serrinha-BA, aprofundando a discussão dos nós que compõe e tecem as finanças solidárias.

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